Dieta Paleolítica

A dieta paleolítica baseia-se nos ancestrais pré-históricos, sendo, o nome da dieta, referente ao período paleolítico (Idade da Pedra Lascada, período da pré-história que vai de cerca de 2,5 milhões antes de Cristo).

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A dieta paleolítica ganhou destaque em 1985, a partir de uma publicação científica dos pesquisadores Eaton & Konner. Atualmente, vem sendo extensivamente estudada por seus potenciais efeitos para a saúde, incluindo a prevenção e tratamento de doenças crônicas, como obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e câncer.

dieta_paleoliticaDe acordo com os autores, nossos ancestrais paleolíticos eram caçadores-coletores, o que implicava numa dieta rica em carnes magras, peixes, vegetais frescos e frutas. Eles alegam que, do ponto de vista evolutivo, nosso organismo ainda é igual aos de nossos ancestrais paleolíticos, e não estaríamos preparados para o consumo de grãos, leguminosas, carboidratos ricos em amido e leite e laticínios, alimentos inseridos após o advento da agricultura (há cerca de 10000 anos), o que estaria relacionado com o desenvolvimento de inúmeras doenças crônicas, doenças carenciais e auto-imunes.

Embora existam diversas adaptações da dieta paleolítica, de uma maneira geral, trata-se de uma dieta hiperproteica, rica em fibras, em que há consumo preferencial de carnes magras, peixes frescos, frutas, vegetais e gorduras saudáveis, restringindo totalmente o consumo de alimentos industrializados.

atençãoDe uma maneira simples, seguem algumas de suas principais “regras”:

  • Você pode comer todas as carnes magras, peixes e frutos do mar;
  • Você pode comer todas as frutas e vegetais pobres em amidos;
  • Cereais não devem ser consumidos (ex. arroz, milho, trigo, etc);
  • Leguminosas não devem ser consumidas (ex. Feijão, lentilha, ervilha, grão de bico, soja);
  • Leite e seus derivados não devem ser consumidos (mesmo desnatados e sem lactose);
  • Alimentos processados são proibidos (mesmo que sejam diet, light ou zero).

Estima-se que a distribuição energética de macronutrientes da dieta no período paleolítico tinha a seguinte proporção: carboidratos de 22 a 40%; proteínas de 19 a 35%; lipídios de 28 a 47% e fibras > 70g/dia.

Comparativamente, a dieta atual americana típica apresenta 10 a 15,5% de proteínas, 49 a 65% de carboidratos e 25 a 34% de lipídios.

duvidaMuito se questiona sobre a aplicabilidade desta dieta nos tempos atuais, devido às alterações do nosso estilo de vida e mesmo em nossos alimentos. Por exemplo, sabe-se que nossas frutas atualmente contém muito mais frutose do que as frutas “paleolíticas”, os vegetais não continham agrotóxicos, as carnes dos animais apresentavam teores de gordura muito inferior aos das carnes dos animais criados hoje e não havia uso indiscriminado de antibióticos e hormônios.

slow-carb-no-white-carbsMas uma coisa é fato. A dieta ocidental atual é rica em carboidratos refinados e gorduras saturadas. Além disso, por ser rica em alimentos processados e pobre em vegetais frescos, possui uma carga ácida elevada e possui poucos antioxidantes. Somando tudo isso à rotinas de muito estresse e sedentarismo, o surgimento de doenças é quase que inevitável. Talvez, estudando nossos ancestrais, olhando para o passado, possamos encontrar os caminhos para uma maior qualidade de vida hoje e, quem sabe, para a cura de muitas doenças.

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Estudos recentes mostram diversos benefícios da dieta paleolítica sobre a saúde cardiovascular e melhora da sensibilidade à insulina. Porém, vale lembrar que, embora os estudos possam demonstrar efeitos benéficos, as pesquisas clínicas devem ser mais específicas quanto à composição da dieta e em relatar possíveis efeitos adversos a longo prazo. A sua aplicação deve ser realizada de maneira individualizada, conforme as necessidades nutricionais e bioquímicas de cada um. Lembre-se de procurar orientação profissional antes de começar a seguir qualquer tipo de dieta.

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Laís Murta
Nutricionista

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Referências:

Lorein Cordain, The Paleo Diet.
Turner BL, Thompson AL. Beyond the Paleolithic prescription: incorporating diversity and flexibility in the study of human diet evolution. Nutr Rev. 2013;71(8):501-10.
Konner M, Eaton SB. Paleolithic nutrition: twenty-five years later. Nutr Clin Pract. 2010;25(6):594-602.
Eaton SB, Konner M. Paleolithic nutrition. A consideration of its nature and current implications. N Engl J Med. 1985;312(5):283-9.
Lindeberg S. Paleolithic diets as a model for prevention and treatment of Western disease. Am J Hum Biol. 2012;24(2):110-5.
Lindeberg S, Jönsson T, Granfeldt Y, Borgstrand E, Soffman J, Sjöström K, Ahrén B. A Palaeolithic diet improves glucose tolerance more than a Mediterranean-like diet in individuals with ischaemic heart disease. Diabetologia. 2007;50(9):1795-807.
Jönsson T, Granfeldt Y, Lindeberg S, Hallberg AC. Subjective satiety and other experiences of a Paleolithic diet compared to a diabetes diet in patients with type 2 diabetes. Nutr J. 2013;12:105.
Jönsson T, Granfeldt Y, Erlanson-Albertsson C, Ahrén B, Lindeberg S. A paleolithic diet is more satiating per calorie than a mediterranean-like diet in individuals with ischemic heart disease. Nutr Metab (Lond). 2010;7:85.
Cunningham E. Are diets from paleolithic times relevant today? J Acad Nutr Diet. 2012;112(8):1296.
http://www.nutritotal.com.br/perguntas/?acao=bu&id=784&categoria=28
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2 Comentários

  1. Maria Betânia dos Santos Biano

    Amei o bolo ,e gosto muito das receitas e orientações, xeru

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